"Eu te vi, te vi, e encontrei seus olhos, escondidos atrás de seus óculos. Vi seu olhar, de insegurança, mas vi seu olhar, que me deixou encantada. É estranho escrever sobre você, porque você, ainda é um mistério. Queria que você me visse, por trás dos meus óculos, e encontrasse o meu olhar."
acaso:
O cheirinho da tua camisa,
no cabide,
parece um abraço
que vem de dentro
do armário.
Leila
"Quando eu era criança, enxergava o amor como um chocolate. Mas não qualquer chocolate, aquele chocolate que a sua mãe trás, quando você menos espera. E ai ela diz, que eu recebi esse chocolate, porque mereci. E ela diz:
- Olha, você vai ter que esperar até o jantar,e comer toda a sua comida. Até os legumes viu?
E eu dou um sorriso, mas no fundo estou pensando: Ahhhh nãoo!!
Mas eu espero, todo impaciente, e parece que a hora nunca passa, e que aquele chocolate está cada vez mais distante. Ai finalmente chega a hora do jantar, e eu faço questão de comer TUDO! E a minha mãe sorri. Mas, ela ainda não te deu o chocolate. Ai eu espero, e espero. Até que ela termina de lavar a louça, E diz para ir escovar os dentes. Fui e escovei os dentes com toda pressa. Ai vou na cozinha,e dou aquele sorriso amarelo para a minha mãe.
- Olha mamãe, eu fiz tudo certinho. - Digo.
- Muito bem. Agora tome esse chocolate. Você merece.
E finalmente, podemos comer aquele delicioso chocolate. Só meu, que eu tanto mereci. E esperei.
O amor é assim, um belo chocolate. Que temos que esperar impacientes, para podermos ter ele em nossas mãos. Mas quando finalmente temos, vale apena qualquer esforço."
Ana Paula.
"Eu estou no bar. Procurando a minha amiga, a garota infeliz que queria que eu saísse junto com seus amigos.Ela sabe que deveria estar em casa, estudando para o vestibular. Merda, porque eu estou aqui? O bar fede a suor, e cerveja. O lugar é escuro e quente. Só é iluminado por aquelas lampadas velhas, de barzinho mesmo. Ouço várias risadas. Procuro A minha amiga pelas mesas. Nada. Estou quase desistindo,e voltando para casa. Quando ouço alguém gritar:
- Lice. - Acho a garota, que está gritando. É a minha amiga. - Aqui Lice, estamos aqui!
Ela está em uma mesinha, com dois caras. E sorri, feito uma boba. Eu não acredito que ela fez isso. Droga, droga. Anoto mentalmente na minha mente, de dar um sermão nela mais tarde. Sorrio, tentando demonstrar felicidade. E vou andando até a mesinha. Sento ao lado de um dos rapazes, sem olhar no rosto dele. Dou um Oi baixinho para as pessoas da mesinha.
Eles voltam a conversar, como se eu não estivesse ali. Peço para o garçom, uma cerveja. E fico olhando ao redor, vendo as garotas paquerarem os caras do bar. Algum grupinho de amigos rindo.
- Você é tímida? - Ouço alguém do meu lado falar. É o rapaz do meu lado.
Viro-me para responder á sua pergunta. Ele está me olhando. Seus olhos são grandes, e sua bochecha está um pouco vermelha. E ele demonstra cansaço. Seu cabelo está bagunçado e a camiseta um pouco aperta. Ele é bonito.
- Não. Só não curto falar muito de cara. - Respondo e dou um gole na minha bebida.
- Ah. É meio chato não conversar com a unica pessoa que está sozinha do seu lado.
- Talvez. Mas eu não queria estar aqui. - Digo.
- E você acha que eu queria estar? - Ele da uma risada. - Por mim estaria em minha casa, no meu sofá, com a minha cerveja. Vendo a minha série, ou algum filme.
Ele sorri.
Parei, meu Deus. Estou perdida, naquele sorriso. Que está bem na minha frente. A obra de arte mais linda que eu já vi.
- Está tudo bem? - Ele pergunta. Me olhando com aqueles enormes olhos.
- Si-Sim. Está. - Sorrio, e em troca recebo outro sorriso.
Depois disso, o barzinho se tornou o lugar mais bonito que eu já vi. Mas, deve ser porque, naquele dia, eu te encontrei. No meio de tantas pessoas, eu te encontrei. E você também me encontrou."
Ana Paula.
"Eu amo você. Talvez eu tenha demorado para me tocar. Escondi, quando você me falou. E você ficou triste, percebi no seu olhar. Mas eu te amo, juro. Amo tudo que há em você. Amo a sua voz, e como ela muda quando você está falando sobre algo que gosta. Amo quando você acorda, e o seu olho esquerdo abre segundos depois, que o direito. E amo quando você sorri, ah, como eu amo. Amo quando você me abraça, principalmente quando é surpresa. Amo o som da sua risada. Uma vez, a primeira vez que conversei com você, e você sorriu. Fiquei vidrada no seu sorriso, perdida. Não sei por quanto tempo. Mas só fui voltar a realidade, quando você me perguntou se estava tudo bem. Ah amor, claro que está. Como não poderia estar, com um sorriso lindo desses, bem na minha frente? Até me senti apreciando aquela bela obra de arte, que é a mais desejada do museu. Como eu, não poderia amar alguém como você? E eu estou agora, na sua frente. Dizendo que te amo, pela primeira vez essas palavras estão saindo da minha boca. E você sorriu, e novamente, estou no museu, e a mais bela obra de arte, é minha."
Ana Paula.
"Não. Eu não vou falar de você. Nunca mais. Jurei para mim mesma, naquela noite. Depois que você me deixou, sozinha, no nosso apartamento. Você prometeu, que nunca iria fazer aquilo. E fez. Mas eu não me permito sentir a sua falta, não quero. Mas a dor que consome o meu peito, é forte. Seu cheiro ainda está solto no ar. Você deixou seu travesseiro na nossa cama. Me deixou ali também. Foi tão fácil para você, sair sem nem se preocupar como iria me sentir. Sair como se, tudo que tivemos, nunca nem existiu. Eu não me permito sentir sua falta. Não me permito sentir saudades, de alguém que não se preocupa."
Ana Paula.